Central de Vendas 16 3516 2600 | 3913 3333

Menu

Data 13/08/2020

Compartilhe:

Casal atravessou rio Amazonas de Kombi

*História contada pelo portal "História do Dia", projeto apoiado pelo Grupo WTB. 

Carol e Salva se conheceram em Londres. Ela é ribeirão-pretana e ele espanhol. Desde aí, já buscavam desamarrar a rotina, dar caminho ao sonho.

Uniram vontades e colocaram os pés na estrada. Com maior exatidão: começaram com os pés e depois optaram pelas rodas de uma Kombi.

Um casal e uma cachorra em uma Kombi amarela e branca cruzando a América Latina. Só aí seria bastante aventura. Mas eles quiseram ir além. Quando decidiram voltar para casa, optaram pelo caminho mais incomum – claro! Cruzaram o rio Amazonas com Kombi e tudo!

Frio na barriga compartilhado. Para entrar na balsa, a Kombi precisava subir uma rampa improvisada com estacas de madeira. Engataram a primeira e subiram?

Têm muita história para contar!

Antes de iniciarem a “Expedição Margarita”, Carol, 34 anos, trabalhava com eventos e Salva, 35, atuava com TI, administrando banco de dados.

O namoro começou em Londres, em 2012. Ela viajou para aperfeiçoar o inglês e mudar de vida. Ele queria uma experiência nova de trabalho.

A primeira jornada que tiveram foi um mochilão pelo sudeste asiático, entre 2013 e 2014. Quando estavam no Vietnã, depois de uns seis meses de viagem, Carol recebeu uma proposta de trabalho no Brasil, para a Copa do Mundo. Decidiram interromper os planos e se mudaram para o Rio de Janeiro.

No avião, resolveram que fariam a próxima viagem o quanto antes. Iriam percorrer a América Latina. Ao invés de mochilas, usariam um carro, como ela explica.

– Queríamos mais liberdade para chegar em um lugar e ficar o quanto quiséssemos, com mais independência.

Passaram dois anos trabalhando – muito – no Rio de Janeiro e guardando dinheiro para a empreitada. Na hora de decidir o carro, optaram pela simpática e querida pelos brasileiros, como ele conta.

– Na Europa era muito difícil conseguir uma Kombi. É um clássico.

No dia em que compraram a Kombi, um modelo de 2012 que era usada pelos Correios, adotaram a cachorrinha Carica. Depois, venderam tudo o que tinham no apartamento e começaram a preparar a viagem.

Passaram três meses na casa dos pais dela, em Ribeirão Preto, reformando a Kombi. O pai dele, que trabalha com marcenaria, também ajudou. Veio da Espanha para participar da tarefa de transformar o veículo em casa!

Adaptaram tudo: cama, cozinha e até uma estrutura para tomar banho. O banheiro não teve jeito de adaptar. Foi preciso contar com a ajuda da vizinhança, parar em postos, buscar alternativas.

Para partir, tiveram que estabelecer uma data, como Carol conta.

– Minha mãe pedia para a gente ficar até o Natal, a família falava para irmos depois do réveillon. Tivemos que definir! Era uma segunda-feira, colocamos as malas na Kombi e partimos!

Essa primeira empreitada foi um teste drive. Partiram em dezembro de 2016.

– Algumas coisas não estavam funcionando como pensamos. Mas ficamos felizes em partir, senão não iríamos nunca!

Salva conta.

Passaram nove meses viajando. De Ribeirão partiram rumo a Ushuaia, na Argentina, onde a América do Sul chega ao fim. Foram 10 mil quilômetros rodados, comprovando que a Kombi estava pronta para as grandes aventuras.

Se tornaram viajantes, criaram um novo estilo de vida.

– A ideia era não trabalhar, mas a gente gostou. Era uma maneira interessante de viver. Começamos a monetizar para que fosse sustentável.

Carol passou a fazer artesanatos e Salva foi se especializando em fotografias e vídeos, que até então eram hobby.

– Queríamos fazer coisas que gostássemos.

No começo, trocavam trabalho por hospedagem em camping, alimentação. Depois, começaram a monetizar. Também foram mudando a forma de alojamento. No início, buscavam áreas de camping, como Salva conta:

– Depois, fomos perdendo o medo, conhecendo outros viajantes que compartilhavam suas experiências. Passamos a ficar em praças, florestas, mirantes, praias. A gente foi aprendendo.

Como casal, também se reinventaram. Aprenderam sobre o silêncio e o espaço.

– Nós temos nossos momentos! Você não tem assunto para três anos e seis meses dentro de uma Kombi! É importante respeitar o silêncio do outro.

No final do ano, decidiram fazer uma parada em Ribeirão. Passaram as festas em família, reformaram a Kombi novamente, mudaram o que precisava de ajuste e partiram de novo! Saíram no dia 6 de fevereiro de 2018 e, de certa forma, ainda estão na estrada.

Visitaram 10 países, rodaram 57 mil quilômetros, sendo 5 mil deles navegando pelo rio Amazonas. Mais do que lugares, conheceram pessoas e histórias.

 – Quando se viaja com um tempo determinado, você fica muito preso ao tempo que tem. Visita as coisas, mas não entra na cultura, não conhece as pessoas. Somos viajantes, ao invés de turistas. É uma maneira de conhecer o mundo.

São as palavras de Salva.

Carol se encantou em saber quantos destinos estão ao alcance de alguns quilômetros.

– Eu não tinha ideia de quantos lugares incríveis existem, tão próximos.

A Kombi é a casa, mas é preciso contar com o acolhimento da cidade. Em Sucre, na Bolívia, vivenciaram uma greve que bloqueou as saídas. Perceberam que ir de um lugar a outro é conviver com os diferentes cenários, nas palavras de Salva:

– Nós dependemos das pessoas e da situação das cidades. Nossa casa é a Kombi. E um viajante com uma casinha tão pequena é afetado pelos acontecimentos.

A cachorrinha Carica é a grande privilegiada. O casal conta que, enquanto estão rodando, a mascote não dorme. Fica atenta ao caminho. Não gosta de cidades e movimento. Na natureza, se sente em casa. Nada nos rios e mares, faz trilhas.  Puxou para os pais humanos.

Depois de quase dois anos na estrada, Salva e Carol decidiram que era hora de voltar para casa. Estavam na Colômbia e souberam que as fronteiras da Venezuela estavam fechadas.

– A gente via venezuelanos caminhando com malas, famílias inteiras. Era triste.

Souberam que era possível fazer a travessia pelo rio e se encantaram com a ideia. No Sul da Colômbia, o primeiro obstáculo. Sofreram um acidente com um motoqueiro e as economias foram embora. Fizeram uma campanha vendendo adesivos para monetizar a viagem e manter o plano.

O barco que pensaram em pegar para voltar explodiu, depois tiveram que esperar a seca do rio melhorar: um tantão de desafios para, enfim, embarcarem com Kombi e tudo.

A volta durou 45 dias, 15 deles navegando. Conheceram o Amazonas peruano e brasileiro, as selvas, culturas até então distantes. Dividiram parte do trajeto com centenas de galinhas!

É tanta história para contar que decidiram produzir um documentário! “Kombizônia” está disponível no Youtube e a cada semana eles lançam um novo capítulo!

Quando chegaram ao Brasil, Salva e Carol encontraram o cenário da pandemia. Aportaram em Belém e um amigo os convidou para irem à São Luiz, Maranhão. O plano era reunir toda a família – da Espanha e de Ribeirão – no nordeste, onde eles pretendiam passar mais um tempo, desbravando. Tudo adiado, enquanto a Covid-19 não der trégua.

Alugaram uma casinha em Barreirinhas, na entrada dos Lençóis Maranhenses, que ainda não puderam conhecer, e estão esperando tudo passar.

Enquanto isso, terminam de produzir o documentário, renovam as energias e compartilham a história que estão trilhando.

– A gente recebe muitas mensagens de pessoas nas redes sociais perguntando sobre a viagem. Não somos mais especiais que ninguém. Se você quer algo, dá certo. Tem a parte boa e a ruim. Como tudo na vida, não existe nada 100% bom.

Nas palavras dele.

A família se assustou no começo. Depois, entendeu a decisão dos dois. Estão, afinal, em busca de algo simples, mas bem complexo.

– No final, o sentido da vida é ser feliz. Parece simples, né? Mas se você está atado pela sua família, pelo que as pessoas pensam, deixa que os outros decidam por você.

É Salva quem diz. O principal, eles acreditam, é a possibilidade de fazer escolhas.

– A sociedade se passa em um equilíbrio. Alguns preferem o conforto de casa, do trabalho. E está bom. O importante é que isso te faça feliz. E, se não faz, tentar mudar. Ver por você mesmo.

A parte mais difícil, os dois concordam, é a saudade. O abraço dos pais, depois de mais de dois anos, foi adiado pela pandemia. E a vontade de estar junto parece que triplicou. De chamada em chamada, de vídeo em vídeo vão acalmando o coração até a próxima jornada!

Para entrar na balsa, a Kombi precisava subir uma rampa improvisada com estacas de madeira. Engataram a primeira e subiram? Só mesmo assistindo ao documentário para saber!

Quer viajar um pouquinho? Dê um play AQUI, na Expedição Margarita!

 

Fotos: divulgação/arquivo pessoal

 

*História contada pelo portal "História do Dia", projeto apoiado pelo Grupo WTB.

 

 

 

 

 

Central de vendas

Envie seus dados. A gente entra em contato com você.

Siga o Grupo WTB nas Redes Sociais