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Data 18/06/2020

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O jardim de Marta e Aylton

 

*História contada pelo portal "História do Dia", projeto apoiado pelo Grupo WTB.

 Qual é o tamanho do seu quintal?

Marta e Aylton ampliaram para além do apartamento os espaços do cuidar. Com muita vontade, transformaram em jardim as ruas do entorno e de quintal o Parque Raya, zona Sul de Ribeirão Preto, onde há cinco anos plantam e cuidam de orquídeas e árvores de todo tipo.

Difícil quem passe sem se encantar com as flores que se multiplicam, amarradas nas árvores. Difícil também é encontrar um tronco que não tenha uma muda lá no alto.

Só ali, no parque, o casal plantou mais de 110 árvores, sem contar as trepadeiras e outras espécies de plantas. Plantaram também mais de 650 orquídeas!

As flores que arrancam suspiros poderiam ter virado lixo, acredite! Eles resgatam orquídeas que as pessoas não querem mais, que sobram em mercados e floriculturas, presentes que, depois que as pétalas caem, deixam de interessar.

Levam as mudas machucadas para casa, em cuidados intensivos que podem durar meses. Só fazem o plantio na árvore quando elas já estão preparadas para viver na natureza.

Algumas orquídeas são doação. Outras, eles compram por um preço melhor nos estabelecimentos. As mudas de árvores, dezenas de tipos, vêm até de outras cidades. Foram buscar uma de pau-brasil em Botucatu.

Nem mesmo os morros e lugares íngremes do parque ficam imunes. Marta e Aylton Rodrigues encontram um jeito de chegar até os pontos mais difíceis para levar uma trepadeira, uma planta rasteira, algo que ajude a deixar o espaço mais verde e colorido.

Dizem que, quando há desafio e escada, vão sempre em dois. Ela está com 62 anos e ele com 64. Um segura e o outro sobre: trabalho feito com amor.

Não basta plantar, porém. Os dois vão diariamente ao parque para cuidar do quintal. No começo, ele chegava a fazer 10 viagens com uma mochila de água nas costas regando as orquídeas que plantaram também nas ruas do entorno e cada uma das que está no parque.

Agora que as mudas já se estabilizaram e as costas não aguentam tanto, ele diminuiu a frequência e o estilo. Só um pouco.

É quinta-feira à tarde e lá está o casal, com uma escada, cuidando de uma orquídea que pedia atenção no tronco da árvore. De segunda à sábado estão por ali, sem falhar.

Só não vão ao Raya com frequência semanal aos domingos. Mas, um ou outro, acabam cedendo à vontade de estar no espaço que transformam, a cada dia, em lar. Um lar que é público, um cuidar que é feito pensando no outro.

O objetivo do casal com todo esse semear é colher conscientização, ver brotar um ambiente melhor no futuro, quando a netinha Lara, de três meses, já estiver adulta. Ela tem uma árvore lá no parque, assim como os três filhos do casal.

Com um mês de vida, foi passear no quintal dos avós e conhecer a muda que eles plantaram para que ela – e todos – se lembre que nosso quintal, na verdade, é do tamanho do mundo. E o cuidar precisa abranger todo esse imenso espaço, como ele diz.

– Eu realizo sonhos aqui. Nós queremos que todo mundo possa curtir, admirar e que a gente possa despertar nas pessoas a ideia de que é possível plantar uma orquídea, uma árvore para o coletivo. Fazendo com que as pessoas respeitem o meio ambiente.

A ideia não surgiu. Sempre esteve com eles. Aylton e Marta contam que, filhos de agricultores, aprenderam de pequenos a importância do cuidar, do semear.

Hoje, os dois são aposentados. Antes, ele trabalhou como bancário e ela como professora. Cresceram no Paraná, se conheceram bem jovens e, em 50 anos de relacionamento – 40 deles casados – moraram em dezenas de cidades diferentes, passando por quatro estados.

– O segredo? É o amor, claro. O respeito, a paixão e ser sempre criativo. Não pode cair numa rotina que enjoa logo. E aceitar desafios. Sempre tivemos desafios novos, no lado do bem.

São as palavras dele.

Cada um dos três filhos nasceu em um estado: uma é carioca, outra é paranaense e tem ainda um acreano. Os pais viveram quase 19 anos na Amazônia. Em cada lugar iam aprendendo um pouco mais, conhecendo a fauna, respeitando a flora.

Quando vieram morar em Ribeirão Preto, oito anos atrás, já perto da aposentadoria, decidiram que, aqui, colocariam em prática toda essa vivência. Escolheram um apartamento próximo do parque Raya já pensando no futuro quintal.

 Começaram pelo jardim em frente ao prédio. Ele sempre teve o costume de presenteá-la com orquídeas. Ela, então, começou a plantá-las no tronco dos coqueiros.

– As pessoas começaram a ver e a gostar. Traziam as orquídeas para a gente amarrar. Nós empolgamos. Fomos plantando na rua, aumentando, até chegar no parque.

No caminho da casa deles até o Raya, cerca de 200 metros, não há uma árvore sem orquídea no tronco.

Tiveram que aprender, da forma mais amarga, a proteger o que é para todos. No início, plantavam ao alcance das mãos. Perderam quase uma centena de mudas, que as pessoas arrancavam e levavam para casa.

– Elas queriam para elas e a nossa ideia é para todos, para o social. Foi uma decepção…

Desanimaram? Nada disso!

– A gente não perde a fé no ser humano! Foi um estímulo para criar soluções e começar de novo.

Compraram uma escada e começaram a plantar no alto. Também passaram a recrutar colaboradores, gente amiga. O pessoal da barraca de coco em frente ao parque cuida das dezenas de mudas que ficam ali e também ajudam a plantar.

Conseguiram até montar uma equipe formada por quatro pessoas: o casal e outros dois frequentadores do Raya que se tornaram amigos e ajudam a regar as plantas, zelar pelas árvores. Os funcionários do parque também colaboram. Se chega alguma doação de planta, feita por quem já conhece o casal, guardam com carinho até que os guardiões cheguem.

A união faz as flores. 

 Cada orquídea floresce em uma época e, então, o casal também é surpreendido pelo encanto o ano todo. Como recuperam as flores já sem pétalas, não sabem qual será a cor a desabrochar. Deliciosas descobertas!

– É impossível a pessoa olhar a orquídea e não dar um sorriso. Elas param para tirar fotos. É alegria!

Marta diz. Os dois, na maior parte do tempo, não se identificam como os criadores do encantador cenário. Ficam só observando a alegria florescer. Quem frequenta o parque com frequência, porém, já percebeu a presença do casal, sempre com escada, plantas, água.

Contam que ali fazem muitos amigos, plantam conscientização. Muita gente os procura para perguntar, se informar, replicar a ideia. Os dois não têm preguiça: ensinam a plantar, a cuidar, a resgatar. O objetivo, afinal, é colher amanhã o que se planta hoje, como ele diz:

– Eu não acredito que estarei aqui para ver essas árvores com 10 metros de altura. Mas o mundo vai rodando. Tenho filhos, neta: eles estarão aqui. Imagine quantas crianças vão poder ver isso no futuro?

 O trabalho está chegando ao final? Nem perto disso!

– Temos muitas coisas para fazer ainda!

Ele quer continuar plantando árvores, semeando o verde. Ela já imagina o colorido. Sonha em transformar o Raya em um grande orquidário.

Quem sabe recebem uma grande doação de mudas? Não perde a esperança!

A netinha Lara, aos três meses, já vai aprendendo que a gente só colhe o que planta. Se depender dos avós, não vão faltar sementes.

Qual é, afinal, o tamanho do seu quintal?

 

*História contada pelo portal "História do Dia", projeto apoiado pelo Grupo WTB.

 

 

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